sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As estratégias de migração da águia-das-estepes (Áquila nipalensis) reveladas com a utilização de técnicas de telemetria por satélite.

A águia-das-estepes (Aquila nipalensis) e uma ave migratória de longa distancia, reproduzindo do sudeste da Rússia européia, a leste através das estepes da Ásia Central a Mandchuria no leste da China e invernando na África subsaariana, na península árabe, no subcontinente indiano e sudoeste da China. Na África a águia-das-estepes inverna em uma extensa área, que se estende do leste do sul do deserto de Sahel ate a África do Sul e Namíbia. 

Aquila nipalensis - individuo jovem

Dezesseis águia-das-estepes foram equipados com transmissores (rastreados por satélite) durante a migração ou em suas áreas de invernada (15 na Arábia Saudita e 1 na África do Sul). A partir destas 16 aves foram recebidos 3.734 pontos de localização, através das coordenadas geográficas. Adultos e imaturos possuem estratégias de migração bastante diferentes em termos de calendário. Os adultos retornaram aos seus territórios de reprodução no sul da Rússia e no Cazaquistão no final de março e início de abril, enquanto os imaturos chegaram em meados de maio. Em termos de rota de migração e a área de invernada as diferenças não são muito acentuadas. Os imaturos permaneceram nos locais de invernada por muito mais tempo que os adultos, normalmente por seis meses. Uma ave adulta levou quase oito semanas para percorrer 9.543 km de Botsuana ao Cazaquistão, com media de 177 km por dia. A mais longa distancia media de vôo diário entre todos os indivíduos rastreados foi de aproximadamente 355 km. Em 1998 foi registrado um ciclo anual completo de um macho adulto. Ele passou 31,5% do ano na área de invernada na Etiópia e no Sudão; 41,9% do tempo na área de reprodução no Cazaquistão e o restante do tempo, 26,6% ele passou migrando entre as áreas de reprodução e invernada.
A pesquisa foi desenvolvida por Bernd-Ulrich Meyburg, Christiane Meyburg e Patrick Paillat em uma área cerca de 50 km de Taif e na costa do Mar Vermelho na Arábia Saudita. Um indivíduo utilizado na pesquisa foi capturado no Parque Nacional Kruger na África do Sul. O estudo foi desenvolvido entre 1991 e 1999. O artigo na íntegra pode ser obtido em:


Desde a introdução do GPS nas pesquisas de campo, as questões de uso do habitat, tamanho do território, velocidade de migração e altitude de vôo, vem sendo mais precisamente estudadas em diversas espécies de aves. Algumas questões foram esclarecidas pela utilização da telemetria por satélite, mas novas pesquisas são necessárias para entender melhor a questão de áreas de invernada, rotas de migração e ecologia de forrageamento envolvendo as aves de rapina.

Crédito fotográfico
David Behrens
Fev/2003
Keoladeo National Park, Bharatpur, Rajasthan, Índia
Disponivel em:
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

DIA INTERNACIONAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE OS URUBUS





Os urubus formam um grupo de aves ecologicamente vital que enfrenta uma série de ameaças em muitas áreas onde ocorrem. As populações de muitas espécies estão sob pressão e algumas espécies estão ameaçadas de extinção. O Dia Internacional de Conscientização sobre os Urubus cresceu a partir dos esforços do Birds of Prey Programme na África do Sul e do Hawk Conservancy Trust na Inglaterra, que decidiram trabalhar juntos e ampliar a iniciativa em um evento internacional. Hoje é reconhecido que um dia internacional bem coordenado promove a conscientização sobre os urubus e a necessidade de sua preservação para um público mais amplo e oferece a possibilidade de divulgação do importante trabalho realizado por ambientalistas em todo o mundo.

É uma iniciativa anual para promover em escala mundial, a partir da participação local, o conhecimento sobre o papel ecológico dos urubus, as ameaças a que estão submetidos e as necessidades de conservação para cada espécie. Os urubus contribuem de forma decisiva para a manutenção da saúde do ambiente, eliminando os restos de animais mortos e evitando dessa forma a proliferação de enfermidades, sendo tradicionalmente um grande aliado dos pecuaristas, que economizam grandes quantias com a eliminação de carcaças. Além disso, os urubus simbolizam os grandes espaços selvagens e a possibilidade de convivência e cooperação entre a fauna e os seres humanos.
No Brasil ocorrem seis espécies de urubus. Alguns mais conhecidos e outros nem tanto. Aqui em Niterói podemos encontrar três delas. O urubu-comum (Coragyps atratus) pode ser visto com muita facilidade nos campos, nas praias e sobrevoando a cidade, cumprindo sua tarefa diária de remoção de cadáveres de animais mortos nas rodovias, nas praias, etc. Os outros dois são o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura) e o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus), mais difíceis de ser vistos, embora estejam voando por aí, às vezes junto com o urubu-comum, passando despercebido para quem não está acostumado a apreciá-los.
            Existe outro urubu que tem a cabeça amarela, porém chamado de urubu-da-mata (Cathartes melambrotus) que ocorre na região norte e parte do centro-oeste do Brasil.
O quinto urubu brasileiro é o belíssimo urubu-rei (Sarcoramphus papa) que anda sumido aqui do nosso estado, principalmente devido ao desflorestamento e também a captura e a caça ilegal. Entretanto ainda pode ser encontrado em áreas de florestas bem preservadas como Itatiaia, Angra dos Reis e na Serra dos Órgãos.
            Existem informações de que o condor-dos-Andes (Vultur griphus) ocorre no Brasil Central, na região do Rio Jaurú em Mato Grosso e no noroeste do Paraná.
             Vamos olhar os urubus com outros olhos?


domingo, 17 de julho de 2011

Recuperação de um Uiraçú (Harpia harpyja, Accipitridae, AVES) na Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM.

Paulo Roberto Neme do Amorim. Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM, e-mail: revecombr@bno.com.br; Roberto da Rocha e Silva. Curso de Medicina Veterinária, Universidade Estácio de Sá, e-mail: rrochaesilva@gmail.com; Môsar Lemos, ABFPAR – Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina, e-mail: lemosmosar@hotmail.com e Maria Lucia Barreto. NAL – Núcleo de Animais de Laboratório, UFF – Universidade Federal Fluminense, e-mail: mlbarreto@gmail.com  



INTRODUÇÃO
            A recuperação de aves de rapina encontradas feridas ou apreendidas pelos órgãos ambientais faz parte da rotina dos centros de triagem e recuperação de animais. Por suas características particulares as aves de rapina constituem um desafio especial, pois dependem da integridade de suas garras e capacidade de vôo, além de um excelente condicionamento físico para que possam retornar ao ambiente natural e sobreviver. Em alguns casos devido às seqüelas resultantes das condições anteriores à chegada ao centro de recuperação, o período de recuperação pode ser bastante longo ou a raridade da espécie justifique a sua retenção com propósitos de reprodução.
A RPPN REVECOM
Situada na margem esquerda do rio Amazonas no Estado do Amapá, Brasil, a Reserva Particular do Patrimônio Natural - REVECOM, possui cerca de 17 hectares com uma micro bacia completa (Igarapé Mangueirinha), e foi instituida pela Portaria nº. 54/98 – N – IBAMA, e considerada de utilidade pública através da Lei Nº. 1091, DE 29 DE MAIO DE 2007 do Governo do Estado do Amapá. Além de abrigar uma rica fauna representativa do bioma Amazônico vem sendo utilizada como centro de recuperação de animais silvestres da região e suas cercanias. Os animais mantidos na RPPN recebem atenção especial e aqueles que são para ali enviados pelo Batalhão Florestal (capturas e apreensões) são submetidos a um protocolo de triagem que envolve exames clínico,  microbiológicos e de habilidades que comprove suas condições físicas e mentais antes que sejam soltos de volta a seus ecossistemas naturais. O local também é usado em atividades de educação ambiental e atende as diversas escolas da região, e promove ainda cursos específicos para graduandos e graduados interessados em conservação de recursos naturais (Figuras 1,2 e 3).



Figura 1. Rio Amazonas no litoral do Estado do Amapá, onde está localizada a RPPN – REVECOM (um oásis verde no centro urbano do Porto de Santana).


Figura 2. Close-up na RPPN – REVECOM
  

Figura 3 Litoral do Amapá com o Rio Amazonas e o Oceano Atlântico
RELATO DE CASO
Uma fêmea de Uiraçu (Harpia harpyja) adulta foi encontrada por morador local no início de janeiro de 2007, numa estrada de terra próximo de uma mineradora de cromita, a 40km da localidade de Cupixi ou Vila Nova (Lat. 00°07'09,6"S e Long. 51°38'12,6"W), a cerca de 180 km de Macapá, capital do Estado do Amapá. Após 3 horas de viagem foi entregue na recepção da RPPN REVECOM, (documento de entrada n° 3147 - GEA - SEMA – CCF de 06/01/2007), tendo sido alojada para as primeiras observações No momento de sua captura a ave estava no chão, extremamente apática, não conseguia ficar em pé e ligeiramente enlameada (Figuras 4 e 5).  O exame clínico inicial revelou lesões na face interna da asa direita (com exposição articular ao nível do punho), região peitoral direita com importante perda de penas com exposição dérmica e abrasão, e corpo estranho sob a membrana nictitante, ceratite e episclerite traumáticas com infecção bacteriana secundária no olho direito. Os primeiros procedimentos constaram de hidratação e antibioticoterapia. As fezes inicialmente se apresentavam semilíquidas com muco, de cor esverdeada com filetes sanguinolentos. Como tratamento inicial foi administrado Sulfametoxazol com Trimetoprim (Bactrim) na posologia de 30mg/Kg duas vezes ao dia durante sete dias, com excelente resultado, considerando que as fezes voltaram à normalidade. As lesões da asa e região peitoral foram tratadas com banhos de uma mistura de solução fisiológica, iodo povidona e água oxigenada projetadas sob pressão com equipamento de bombeamento manual, sendo aplicado pomada fibrinolítica com cloranfenicol. A cicatrização das lesões dérmicas ocorreu por segunda intenção. No dia 20 de janeiro foi medicada com Albendazole (Albendazol) na razão de 10 mg/Kg em dose única, repetida após quinze dias. Como terapia inicial de suporte a ave recebeu ainda complexo vitamínico mineral durante 15 dias adicionado ao alimento e na água de bebida. A alimentação oferecida à ave nos primeiros dias constou de uma mistura de carne bovina desengordurada, fígado bovino cru e um purê de epífises de ossos de galinha, ad libitum diariamente. Após 10 dias, começou a rejeitar o alimento. Deixou-se então a ave em jejum por se entender que esse comportamento é normal já que a ave em vida livre experimenta algum jejum entre uma predação e outra. Em 27 de janeiro de 2007 estava bem ativa e eventualmente apresentava comportamento de filhote ao receber o alimento, abrindo parcialmente as asas. Exercitava os pés alternando-os no apoio aos poleiros. Também mudava de poleiro regularmente, de diâmetro médio para um tronco. Quanto a suas interações com o entorno demonstrava interesse por uma preguiça (Choloepus sp) e por um jupará (Potus flavus) que estavam alojados nas proximidades, o mesmo ocorrendo em relação a um filhote de guariba (Alouatta sp). Abaixava todas as penas do penacho e a cabeça, como se fosse voar e apanhar a presa. Não ligava para uma arara (quase sem penas) que passeava pela área próxima ao abrigo. Em 27 de janeiro a ave já apresentava sinais de estar recuperando suas forças rapidamente. Já não aceitava que lhe tocassem o dorso. Desde o dia 25 de janeiro tentava exercitar as asas. A lesão ocular cicatrizou após 20 dias de tratamento com pomada oftálmica (Maxitrol) e água boricada. Em 1º. de março a ave estava recuperada e foi transferida para o novo recinto, construído de acordo com o modelo REVECOM, em 14 de abril, onde começou a se exercitar e mostrou-se totalmente apta para vôo e adaptada ao novo recinto após 10 dias (Figuras 6 e 7). O voo era estimulado pelo fornecimento de ratos brancos vivos colocados no interior do viveiro.






Figura 4 e 5. Uiraçu no dia em que chegou a REVECOM.





  
Figura 6 e 7. Uiraçu instalado no viveiro após tratamento.
CONSERVAÇÃO DA HARPIA.
A conservação de grandes predadores vai se tornando cada vez mais difícil não por falta de áreas protegidas, mas devido às suas restritas extensões ou fragmentações. Grandes predadores alados como o uiraçu (Harpia harpyja), gavião pega-macaco (Spyzaetus tyranus) e gavião-de-penacho (Spyzaetus ornatus) necessitam de vastas áreas bem conservadas para sua sobrevivência (WILLIS, 1979). É fato que muitos deles já desapareceram em algumas regiões onde embora existam florestas, elas não atendem às suas necessidades. É um erro acreditar que a existência de áreas protegidas (unidades de conservação) represente uma segurança para a preservação de espécies mais exigentes. O mesmo ocorre com alguns mamíferos como o jaguar (Panthera onca), a anta (Tapirus terrestris), a queixada (Tayassu pecari), o caititu (Pecari tajacu), o tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tatu-canastra (Priodontes maximus) (CHIARELLO, 2000).  O que importa mais é a extensão da área. No caso dessas espécies mais exigentes elas precisam de grandes áreas protegidas e sem fragmentações porque a fragmentação impede que boa parte de suas presas sobreviva neste ambiente alterado.
Embora existam informações que indiquem a possibilidade de sobrevivência desses grandes predadores em áreas próximas de comunidades e isso signifique a, a nosso ver, uma tentativa de se ajustar às condições locais, não temos ainda monitoramento de longo prazo para avaliar exatamente o quanto essas mudanças podem influenciar as atuais e futuras gerações de uiraçus. É fato, por exemplo, que o desmatamento interfere tanto em sua nidificação quanto na capacidade de criar os filhotes. A degradação dos ecossistemas por interferência humana leva ao desaparecimento dos mamíferos mais utilizados em sua dieta. É possível que com a escassez de animais selvagens na região a ave passe a caçar animais domésticos, como ocorre com as onças. Esse fato faz com que a população considere a ave como inimiga, abatendo-a para evitar prejuízos, e também devido ao porte do animal, que é considerado um troféu de caça. A caça ilegal, a perseguição e a comercialização devem ser consideradas como ameaças reais. Na Amazônia as aves de rapina de grande porte são caçadas para alimentação, o que se torna um problema grave, pois o uiraçu é uma ave rara e que amadurece tardiamente, sendo os indivíduos adultos cruciais para a estabilidade populacional. (CHIARELLO, 2000; ICMBIO, 2008). De acordo com a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, a espécie está inserida na categoria Quase Ameaçada em nível nacional (MACHADO et al. 2005). Entretanto, a situação da espécie na Mata Atlântica é muito mais grave, estando citada em listas vermelhas estaduais do sul e sudeste: “Provavelmente Extinta” no Rio Grande do Sul (MARQUES et al. 2002), “Criticamente em Perigo” em Minas Gerais (DRUMMOND et al, 2008); no Paraná (MIKICH e BÉRNILS 2004), São Paulo (SILVEIRA et al, 2009) e Espírito Santo (SIMON et al, 2007); e “Em Perigo” no Rio de Janeiro (ALVES et al. 2000).
REGISTROS MAIS RECENTES DE Harpya harpyja NO BRASIL
            Os registros mais recentes do uiraçu estão concentrados nas grandes áreas preservadas da região Norte do país (Quadro 3). Vargas et al (2006) registrou 21 ninhos da espécie na Amazônia. Estes registros segundo o ICMBio (2008) são de Galetti et al (1997), Borges et al (2001), Marigo (2002), Silveira (2002), Henriques et al (2003), Pacheco et al (2003), Pires et al (2003), Santos (2003), Luz (2005), Silveira et al (2005), Pivatto et al (2006), Olmos et al (2006) e  Vargas et al (2006)
Quadro 3. Registros mais recentes de Harpya harpyja no Brasil

ESTADO
LOCAL DO REGISTRO
ANO
Acre
Sena Madureira
2006
Amapá
Vila Nova (Lat. 00°07'09,6"S e Long. 51°38'12,6"W)
2007
Amazonas
PARNA Jaú, REDES Mamirauá
2001, 2006

Pará
Rio Trombetas, RESEX Tapajós-Arapiuns, FLONA Tapajós, Moju (Agropalma), Paragominas (Fazenda Cauaxi), PE do Cristalino.
2003, 2005, 2006
Roraima
ESEC Maracá, PARNA Viruá
1985, 2003
Mato Grosso
Ricardo Franco (Serra), Vila Bela da Santissima Trindade
2002
Mato Grosso do Sul
Serra da Bodoquena (Fazenda Salobra), PARNA Serra da Bodoquena
2006
Bahia
Serra das Lontras, PARNA Pau Brasil
1991, 2005
Espírito Santo
Pedro Canário, REBIO Sooretama, REFLO Linhares (CVRD), REBIO Augusto Rischi
1997, 2000, 2003, 2006
Minas Gerais
RPPN Feliciano Miguel Abdala, PE do Rio Doce, Tapira (comunidade de Palmeiras), Fazenda Montes Claros
2002, 2006
Rio de Janeiro
PARNA Itatiaia, PARNA Serra dos Órgãos, PE Serra do Mar
2000, 2002, 2003
São Paulo
Cananéia, Ariri
1989, 1993
Santa Catarina
PE Tabuleiro
1995


CONCLUSÃO
            Não há dúvidas que a recuperação e manutenção de aves de rapina em cativeiro pode se tornar um grande desafio para seus reabilitadores, especialmente quando se trata de aves do porte do uiraçu, que exige maiores espaços e maior habilidade e experiência no manejo. No presente caso a situação inicial da ave favoreceu a rápida recuperação, pois estruturas importantes como as asas e as garras não sofreram danos irreversíveis. A disponibilidade de um recinto adequado é um fator decisivo no processo de recuperação, quando não se pode optar pelo uso da técnica de falcoaria, na qual a ave permanece sobre poleiros adequados, restringida por correias de couro e são exercitadas diariamente em saltos verticais seguidos de vôos livres até que atinjam condição muscular e autoconfiança suficiente para retorno ao ambiente natural.
AGRADECIMENTOS
A equipe da RPPN REVECOM pelo esforço empregado para a plena recuperação do uiraçu.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, M.A.S.; J.F. PACHECO; L.A.P. GONZAGA; R.B. CAVALCANTI; M.A. RAPOSO; C. YAMASHITA; N. C. MACIEL & M. CASTANHEIRA. 2000. Aves, p. 113-124. In: H.G.BERGALLO; C.F.D. ROCHA; M.A.S. ALVES & M. VAN SLUYS. (Eds). A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Editora da UERJ, 166p.
BIERREGAARD JR., R.O. The biology and conservation status of Central   and South American Falconiformes: a survey of current knowledge. Bird Conservation International. ICBP. 1995 . 5:325-340.
BROWN,l. Birds of Prey, their biology and ecology. Hamlyn: Londres. 1976.
CHIARELLO, A. G. Conservation value of a native forest fragment in a region of extensive agriculture. Revista Brasileira de BiologiaSão Carlos,  v. 60,  n. 2,  2000. 
COOPER, J.E. Veterinary aspects of captive birds of prey. 2ed. The Standfast Press. Gloucestershire. 256p. 1991.
DRUMMOND, G. et al. Lista das espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção do estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas: Belo Horizonte, 2008.
HALLIWELL, W. H. Bumblefoot infections in birds of prey.  J. Zoo Anim Med.  6:8-10, 1975
KEIMER, I. F. Diseases of birds of prey. Veterinary Record.90(21):  579-594, 1972.
MACHADO, A.B.M.; C.S. MARTINS & G.M. DRUMMOND. 2005. Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte, Fundação Biodiversitas, 160p.
MARQUES, A.A.B.; C.S. FONTANA; E.VÉLEZ; G.A. BENCKE; M.SCHNEIDER & R. E.DOS REIS. 2002. Lista de referência da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul. Porto Alegre, FZB/MCT, PUCRS/PANGEA, Publicações Avulsas FZB 11, 52p.
MIKICH, S.B. & R.S. BÉRNILS. 2004. Livro vermelho da fauna ameaçada no estado do Paraná. Disponível na World Wide Web em: http://www.pr.gov.br/iap
PERES, C.A; BARLOW, J; HAUGAASEN, T. Vertebrate responses to surface wildfire in a central Amazonian forest. Oryx, v.37, n.1, p.97-1 09, 2003.
SICK, H. Ornitologia Brasileira. 2a. impressão, Editora Nova Fronteira S.A. Rio de Janeiro, 912p, 1997.
SILVEIRA, L. F et al. Aves. In: BRESSAN, P.M et al. Fauna ameaçada de extinção no estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo: Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria de Meio Ambiente. 2009
SIMON, J. E et al. As aves ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. In MENDES, S.L e PASSAMANI, M (org). Livro Vermelho das espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. Vitória: IPEMA, 2007.

Publicado na Revista SPIZAETUS (N. 10 DEz/2010) 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

CLEPTOPARASITISMO POR AVES DE RAPINA



Andréa de Andrade Rangel de Freitas¹, Môsar Lemos².

¹Faculdade de Veterinária, Universidade Federal Fluminense.
²ABFPAR - Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina.


  Introdução

O cleptoparasitismo é um mecanismo de interação no qual um organismo rouba algum recurso, geralmente alimento, que outro capturou ou mesmo deixou armazenado. O cleptoparasita se beneficia tanto por obter uma presa ou outro recurso que não conseguiria sozinho como pelo ganho de tempo e diminuição do esforço para consegui-lo. Esse tipo de interação é utilizado como estratégia de forrageamento por diversos grupos de animais vertebrados como aves e mamíferos e invertebrados como insetos e aracnídeos. O cleptoparasitismo é denominado intraespecífico quando os dois organismos envolvidos são da mesma espécie ou interespecífico, quando são de espécies diferentes (Danko e Mihók, 2007).

Revisão de literatura

            Segundo Jorge e Lingle (1998) o cleptoparasitismo a outras aves foi uma das formas utilizadas por Haliaeetus leucocephalus para obter alimento nos lagos e rios, em Nebraska, EUA. As vítimas foram Buteo regalis, Buteo jamaicensis, Buteo lagopus, Aquila chrysaetus e membros da própria espécie. O roubo de presas ocorreu com maior freqüência durante o inverno rigoroso de 1978-1979, quando o gelo sobre a água restringia a pesca das águias. O cleptoparasitismo ocorreu principalmente em áreas agrícolas, onde bandos de Anas platyrhynchos (patos Mallard) se alimentavam e podiam ser predados. As águias jovens que obesrvavam os adultos logo participaram do cleptoparasitismo e o utilizaram em invernos posteriores. Segundo os autores, isso sugere que esta forma de obter o alimento é um padrão de comportamento aprendido.
            Embora os incidentes de cleptoparasitismo envolvendo Haliaeetus leucocephalus sejam freqüentes (Fischer, 1985; Sobkowiak e Titman, 1989; Watt et al., 1995), os episódios de furto de presa por aves contra mamíferos são relativamente raros (Brockman e Barnard, 1979). No entanto, Watt et al. (1995) relataram episódios de roubo de alimento de Enhydra lutris (lontra marinha) por Haliaeetus leucocephalus no Alaska entre junho de 1992 e março de 1994. Foram observados nove episódios de cleptoparasitismo pela águia. Todos os episódios ocorreram no inverno e envolveram lontras que foram até a superfície da água caçar ou ingerir peixes (Aptocyclus ventricosus). Em uma das tentativas, a águia mergulhou de um poleiro localizado em um penhasco e apanhou um peixe de uma lontra que foi à superfície com a presa. A lontra pareceu não perceber a aproximação da águia e não teve oportunidade de evitá-la. Essa interação entre águia e lontra marinha ocorreu somente entre janeiro e junho, quando as lontras estão em período reprodutivo. Durante este período o número de lontras e o consumo de peixes aumentaram drasticamente. Os outros alimentos de pequeno tamanho não foram de interesse das águias. A ação evasiva das lontras em atentados que falharam sugere que elas estavam atentas ao potencial prejuízo que as águias representavam e mantinham vigilância à comida. Segundo os autores, isso sugere que o efeito surpresa é importante para o sucesso do parasitismo da águia.            
Entre janeiro e outubro de 1990, Estrella e Rodrigues (1992) relataram dez incidentes de cleptoparasitismo por Caracara plancus, sendo seis interespecífico (cinco sobre Cathartes aura e um sobre Parabuteo unicinctus) e quatro intraespecíficos de imaturos sobre adultos. Os autores sugerem que o cleptoparaitimo em carcará pode ocorrer e/ou ser promovido por interação na área de alimentação, uma conduta de forrageamento oportunista e a presença de recursos alimentares primários diminuídos.
Em dezembro de 2005 o segundo autor observou dois carcarás jovens entre um grupo de urubus (Coragyps atratus) na praia de Jaconé, Estado do Rio de Janeiro. Havia diversos sacos plásticos contendo lixo deixado pelos moradores para a coleta pelo caminhão da limpeza urbana. O grupo de urubus tentava abrir os sacos rasgando-os com o bico, enquanto os carcarás agarravam os sacos com as garras e jogavam para cima, como se estivessem tentando “matar a presa”. No momento em que os urubus obtiveram sucesso retirando restos de alimento de dentro do saco (pareciam restos de galinha) os jovens carcarás avançaram sobre eles tomando a “presa”. O comportamento parece ter sido copiado dos próprios urubus que lutam entre si na disputa dos pedaços de alimento. Os urubus foram vistos em outras oportunidades vasculhando e disputando os sacos de lixo, porém os carcarás foram vistos apenas naquela ocasião.
Durante um trabalho de observação de uma população de Aquila heliaca no leste da Slovakia entre abril de 1992 e março de 2003, Danko e Mihók (2007) relataram diversos episódios de cleptoparasitismo envolvendo a espécie. Segundo os autores esta forma de obter alimento é relativamente comum para estas águias. Em primeiro de abril de 1992, um Falco cherrug macho foi avistado em atividade de caça enquanto uma águia sobrevoava em círculos o local. Durante a tentativa de captura de um roedor pelo falcão, a águia iniciou uma perseguição, à uma distância de 1,5 Km da superfície de vôo e do ataque do falcão. A águia não obteve êxito, mas quando os filhotes dos dois casais da região cresceram, ambos caçaram juntos e então os falcões tiveram menos chance de carregar suas presas abatidas para o ninho. Segundo os autores, como consequência do cleptoparasitismo de A. heliaca, todos os jovens falcões morreram na fase de ninho naquele ano.
Frirz (1998) sugere que o comportamento de caça persistente voando e peneirando acima do solo de Falco tinnunculus demanda grande consumo de energia e foi o fator determinante do cleptoparasitismo desta espécie sobre Asio flammeus durante o inverno de 1996-1997 no oeste da França. Foram registrados 25 ataques, sendo nove bem sucedidos durante 16 tardes de observação (70 h). O roubo de alimento obteve maior êxito quando realizado por um casal, estando a fêmea sempre à frente dos ataques.
            Clark e Schmitt (1993) no dia dez de janeiro de 1991, no leste de Gujarat, Índia observaram um macho de Circus pygargus (Montagu’s Harrier) adulto alimentando-se no solo. Ao se aproximarem para fotografar a ave a 15 m, ela voou levando a presa. Durante o voou, um Falco chicquera (Red-headed falcon) adulto iniciou uma perseguição que durou mais de um minuto e terminou com a queda da presa. O falcão desceu rápido e a capturou no ar, voando em seguida para um poste onde começou a comê-la. A presa roubada foi a metade posterior de um pequeno marsupial (Bandiocota sp).
            Clark et al. (1989) em quatro de janeiro de 1984, em Vera Cruz, México observaram um jovem Falco femoralis macho voar e retornar para o mesmo poste com uma presa. Alguns minutos depois o falcão fez um vôo curto, direto e em linha reta na direção de uma garça azul (Egretta caerulea) localizada no solo à cerca de 20 m de distância. A garça voou com a aproximação do falcão deixando um camarão (Cambaru diogenes) que foi então pego pelo F. femoralis.  Em seguida o falcão retornou para o poste onde consumiu a presa, repetindo a mesma conduta contra outras garças em uma atitude idêntica. Os autores ressaltam que crustáceos parecem ser uma presa atípica para estes falcões e que este foi o primeiro relato de cleptoparasitismo por F. femoralis.
            Na província de Bizkaia, norte da Espanha, Zuberogoitia et al. (2002) estudaram entre setembro de 2000 e agosto de 2001 a composição da dieta de Falco peregrinus, relatando 931 presas de 97 espécies diferentes presentes nos ninhos. Em 1997 os autores encontraram ossos de coelho (Oryctolagus cuniculus) e de galiha doméstica (Gallus gallus) em um dos ninhos. Essas presas não são comumente encontradas na dieta dos peregrinos (Zuberogoitia et al. 2002 apud Raticliffe, 1993). Em 2001 foram encontrados novamente um coelho em pedaços durante o inverno e outro durante o período reprodutivo junto com seis restos de cordeiro. Devido à extrema escassez de coelhos na área de estudo, a presença do cordeiro e outros animais de criação, e a existência de um depósito de lixo localizado a um quilômetro do ninho do peregrino os autores suspeitaram que os alimentos não foram caçados e sim coletados. Para determinar como isso ocorreu, os pesquisadores montaram um ponto de observação próximo ao depósito de lixo.  Além da caça de passeriformes e columbiformes, relataram um grupo de 70 Corvus corone (Carrion Crow) alimentando-se no lixo. Quando os corvos partiram para a montanha, um jovem peregrino que estava sendo criado no ninho aproximou-se do lixo, e investiu sobre os corvos. Ele gastou mais de 30 minutos mergulhando sobre os corvos, mas não obteve nenhuma presa. No dia seguinte, repetiu sem sucesso as mesmas investidas. Dessa vez por um período de 45 minutos. Os Corvus corone são aves fortes que podem causar injúrias aos peregrinos. Dois dias depois, os pesquisadores relataram gritos dos corvos e avistaram um peregrino adulto voando no meio do grupo dos corvos carregando um pedaço de alimento, sugerindo um episódio de cleptoparasitismo.

Discussão e conclusão

            Brockman e Barnard (1979) enumeram algumas condições ecológicas que favorecem o desenvolvimento deste comportamento: deficiência de alimento primário, abundância de alimentos alternativos, recursos alimentares primários e alternativos escassos, grande concentração de hospedeiro e alimento visível. Além desses fatores, Paulsen (1985) considera que áreas abertas também contribuem para a ocorrência do cleptoparasitismo. Isso porque nestas áreas o cleptoparasita pode observar e encontrar os hospedeiros mais facilmente, a captura e transporte das presas tornam-se visíveis a grandes distâncias, o cleptoparasita dificilmente consegue se esconder e os itens predados podem ser facilmente encontrados quando são abandonados pelo hospedeiro.     
            Temeles e Wellicome (1992) avaliaram os efeitos das condições climáticas no comportamento social das aves de rapina na região de Britsh Columbia, Canadá. A pesquisa foi realizada de quatro a vinte sete de fevereiro de 1990, totalizando 37 horas em período diurno. Foram comparados dados relativos à presença de nevada na região sobre as espécies: Haliaeetus leucocephalus (Bald Eagle), Buteo lagopus (Rough-legged Hawks), Circus cyaneus (Northern Harriers) e Asio flammeus (short-eared Owls). A cobertura de neve aumentou drasticamente a freqüência de cleptoparasitismo em todas as espécies de rapinantes, sendo Circus cyaneus a espécie mais envolvida (Tabela 01). Foram relatadas 49 tentativas de roubo de presas: dois por Haliaeetus leucocephalus, 13 por Buteo lagopus, 34 por Circus cyaneus. As vítimas foram: um Buteo lagopus, 23 Circus cyaneus e 25 Asio flammeus.  Também foram testemunhados, em quatro ocasiões, dois atentados simultâneos para roubo de uma mesma vítima e nove casos de tentativas de cleptoparasitismo seqüenciais: Buteo lagopus roubou uma presa de Asio flammeus e em seguida foi roubado por Circus cyaneus. Todas as presas capturadas pelos quatro rapinantes foram da mesma espécie de roedor (Microtus lownsendii).

Tabela 01 – Efeitos da neve no forrageamento de Circus cyaneus (Northern Harriers)
VARIÁVEL
NEVE
PRESENTE
AUSENTE
Tentativa de captura de presa
28
44
Presas obtidas por caça
12
1
Sucesso de captura
12
1
Tentativa de cleptoparasitismo
34
0
Sucesso de cleptoparasitismo
17
-
Fonte: Temeles e Wellicome (1992)

Granzinolli (2003) avaliou a ecologia alimentar de Buteo albicaudatus no sudeste de Minas Gerais e constatou que no período de maior abundância de pequenos mamíferos (estação seca), ocorreu uma seletividade por parte do gavião. Entretanto na época de menor abundância desses pequenos mamíferos (estação chuvosa), houve um oportunismo por parte do predador. Tal oportunismo foi representado pela ingestão de presas menores do que as de costume, mas presentes em maior número. Mas seria razoável pensar que também possa ocorrer, em condições de baixa abundância de presas primárias, uma mudança de comportamento de caça, havendo, portanto, espaço para o cleptoparasitismo.
O alimento é um recurso crucial para todos os animais, pode-se considerar que a estrutura de uma comunidade baseia-se, em parte, na forma como o alimento é compartilhado entre as espécies, particularmente se o recurso é limitado (Andrew e Chritensen, 2001). O roubo de alimento, portanto, parece estar relacionado a condições adversas de subsistência como estações climáticas rigorosas ou a diminuição quantitativa e qualitativa das presas. Mas fica o questionamento: qual o papel das dispersões e deslocamentos regionais? Até que ponto a ave permanece em um ambiente desfavorável, sem ampliar sua área de caça? Segundo Granzinolli (2003) não existe no Brasil nenhum estudo enfocando respostas de Falconiformes em relação à disponibilidade de presas, havendo a necessidade de tais análises.

Referências

Andrew, S. and Christensen, B. Optimal diet theory: when does it work, and when and why does it fail? Animal Behavior, 61: 379-390, 2001.

Brockman, H. and Barnard, C. Kleptoparasitism in bird. Animal Behavior. 27: 487-514, 1979.

Clark, W.S.; Schmitt, N.J. Red-Headed Falcon Pirates from Montagu’s harrier. Journal Field Ornithology, 64 (2): 244-245, 1993.

Clark, W.S., Bloom, P.H., Oliphant, L.W. Aplomado Falcon Steals Prey from Little Blue Heron. Journal Field Ornithology, 60 (3): 380-381, 1989.

Danko, S. and Mihók, J. Kleptoparasitism by raptors, focusing on the Imperial Eagle (Aquila heliaca). Slovak Raptor Journal, 1: 29-33, 2007.

Estella, R.R.; Rivera, R.L. Kleptoparasitism and other interactions of crested carcara in the Cape region, Baja California, Mexico. Journal Field Ornithology, 63 (2): 177-180, 1992.

Fischer, D.L. Piracy Behavior of wintering Bald Eagles. The Condor, 87: 246-251, 1985.

Frirz, H. Wind speed as a determinant of Kleptoparasitism by Eurasian Kestrel Falco tinnunculus on Short-eared Owl Asio Flammeus. Journal of Avian Biology, 9: 331-334, 1998.

Granzinolli, M.A.M. Ecologia alimentar do gavião-do-rabo-branco Buteo albicaudatus (Falconiformes: Accipitridae) no Município de Juiz de Fora, sudeste do estado de Minas Gerais. Dissertação de Mestrado, Instituto de Biociências, USP, Departamento de Ecologia, 136 p., 2003.

Jorge, D.G. and Lingle, G.R. Kleptoparasitism by Bald Eagles Wintering in south- central Nebraska. Journal Field Ornithology, 59 (2): 183-188, 1988.

Paulsen, D.R. The importance of open habitat to the occurrence of Kleptoparasitism. Auk 102: 637-639, 1985.

Raticliffe, D. The Peregrine Falcon, second Edition, T & A. D. Poyser, London, 1993.

Sobkowiak, S; Titman, R.D. Bald Eagle Killing American Coots and stealing coot carcasses from Greater Black backed Gulls. The Wilson Bulletin, 101 (3), 1989.

Temeles, E.J. and Wellicome, T.I. Weather-dependent Kleptoparasitism and Agression in a Raptor Guild.  Auk, 109 (4): 920-923, 1992.

Watt, J.; Krausse, B.; Tinker, T.M. Bald Eagle Kleptoparasitising Sea Otter at Amchitka Island, Alaska. The Condor, 97: 588-590, 1995.

Zuberogoitia, I.; Iraeta, A.; Martínez, J.A. Kleptoparasitism by Peregrine Falcons on carrion crows.  Ardeola, 49 (1): 103-104, 2002.